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Visto L-1: como abrir empresa e contratar nos EUA

O visto L-1 pode ser uma alternativa para empresas brasileiras que desejam abrir ou expandir uma operação nos Estados Unidos e transferir executivos, gerentes ou profissionais com conhecimento especializado. Abrir

Escrito por: Wagner Pontes

O visto L-1 pode ser uma alternativa para empresas brasileiras que desejam abrir ou expandir uma operação nos Estados Unidos e transferir executivos, gerentes ou profissionais com conhecimento especializado.

Abrir uma empresa americana, entretanto, não cria elegibilidade automática. O processo depende da relação entre as organizações, do histórico do profissional transferido e da capacidade da operação nos EUA de executar o plano apresentado.

Como funciona o visto L-1

O L-1 é uma categoria de transferência intracompanhia. Para utilizá-la, a empresa brasileira e a organização americana precisam manter uma relação qualificável, como matriz, filial, subsidiária ou afiliada.

O beneficiário geralmente deve ter trabalhado para a organização estrangeira durante pelo menos um ano contínuo dentro dos três anos anteriores ao pedido. Esse trabalho deve ter ocorrido em função executiva, gerencial ou que envolva conhecimento especializado.

A empresa estrangeira também precisa continuar realizando negócios durante a permanência do profissional nos Estados Unidos. Encerrar a operação brasileira logo depois da transferência pode enfraquecer a estrutura que sustenta o processo.

L-1A e L-1B: quais são as diferenças?

O L-1A é destinado a executivos e gerentes. Já o L-1B atende profissionais com conhecimento especializado sobre produtos, serviços, processos ou operações da organização.

CritérioL-1AL-1B
PerfilExecutivo ou gerenteProfissional com conhecimento especializado
Foco da funçãoGestão, decisões e supervisãoConhecimento relevante para a organização
Permanência máximaGeralmente até 7 anosGeralmente até 5 anos
Novo escritórioAprovação inicial de até 1 anoAprovação inicial de até 1 ano
Possível estratégia futuraPode se relacionar ao EB-1CDepende de outra categoria

O título do cargo não é suficiente. No L-1A, as responsabilidades reais devem ser predominantemente gerenciais ou executivas. No L-1B, é necessário explicar por que o conhecimento do profissional é especializado dentro do contexto da própria organização.

Como funciona o L-1 para um novo escritório

Quando a empresa americana opera há menos de um ano, o caso pode ser enquadrado como novo escritório nos EUA. Nessa modalidade, a aprovação inicial geralmente é limitada a um ano.

A empresa precisa demonstrar que possui espaço físico adequado, recursos financeiros e um plano comercial compatível com a operação proposta.

No L-1A, o planejamento deve mostrar como a empresa americana evoluirá, dentro do primeiro ano, para sustentar uma posição verdadeiramente executiva ou gerencial.

Isso não significa que exista um número obrigatório de funcionários. A análise considera o setor, o modelo de negócio, a complexidade da operação, os níveis hierárquicos e as funções que permanecerão sob responsabilidade do beneficiário.

É obrigatório contratar funcionários americanos?

Não existe uma quantidade mínima universal de contratações locais prevista para todos os casos de L-1.

Uma empresa pode precisar de dois, cinco ou mais profissionais, dependendo da operação. Também pode utilizar determinados prestadores de serviço, desde que a estrutura apresentada seja verdadeira e compatível com o plano de negócios.

O ponto central é demonstrar que o executivo ou gerente não ficará permanentemente responsável por vendas, atendimento, produção e tarefas administrativas de rotina.

No L-1B, a contratação de uma equipe subordinada não é o principal critério, pois o foco está no conhecimento especializado. Ainda assim, a empresa precisa provar que existe uma operação real na qual esse conhecimento será utilizado.

Quem pode ser contratado

A empresa americana pode contratar cidadãos, residentes permanentes ou outros profissionais que tenham autorização legal de trabalho nos Estados Unidos.

O USCIS não exige que todos os funcionários sejam cidadãos americanos. O que importa é que as contratações sejam legítimas, documentadas e compatíveis com a estrutura apresentada.

Parentes também podem trabalhar na empresa quando estão devidamente autorizados, mas uma folha composta apenas por familiares ou sócios pode exigir explicações adicionais sobre a independência e a realidade da operação.

Documentos importantes

A preparação do dossiê empresarial pode envolver:

  • contratos sociais das duas empresas;
  • provas de propriedade e controle;
  • demonstrações financeiras;
  • declarações fiscais e extratos bancários;
  • contratos com clientes e fornecedores;
  • organogramas atuais e projetados;
  • descrição dos cargos;
  • planejamento de folha de pagamento;
  • contrato de locação ou espaço comercial;
  • plano de negócios;
  • currículo e histórico profissional do beneficiário.

Após a aprovação, a empresa deve preservar contratos de trabalho, registros de folha, documentos fiscais, receitas, despesas e evidências de atividade comercial.

Erros comuns

O primeiro erro é apresentar um plano de negócios com contratações genéricas, sem explicar cargos, funções e momento previsto de entrada.

O segundo é confundir investimento com elegibilidade. O L-1 não possui um valor mínimo universal, mas a empresa precisa demonstrar capacidade financeira compatível com a proposta.

O terceiro é chamar o beneficiário de executivo enquanto o planejamento mostra que ele executará quase todas as tarefas operacionais sozinho.

Outro erro é estruturar a empresa americana sem preservar corretamente a relação de propriedade e controle com a organização brasileira.

Por fim, muitos empresários deixam para documentar a operação apenas quando chega o momento da extensão. A organização das evidências deve começar no primeiro dia de atividade.

LLC ou Corporation: o que muda?

Tanto uma LLC quanto uma Corporation podem integrar uma estrutura para o L-1, desde que a relação qualificável entre as empresas esteja devidamente comprovada.

O USCIS não estabelece preferência automática por C-Corp. A escolha da entidade deve considerar controle societário, tributação, investidores, contabilidade e objetivos comerciais.

Essa decisão deve ser tomada com orientação de profissionais jurídicos e tributários habilitados, e não apenas com base na categoria migratória.

Prazos e custos

O prazo depende da modalidade do pedido, da organização documental e da carga de trabalho do USCIS. O processamento prioritário pode acelerar a resposta governamental, mas não garante aprovação.

Os custos podem incluir abertura e manutenção da empresa, contabilidade, espaço comercial, folha de pagamento, traduções, taxas governamentais e suporte profissional.

Como taxas e prazos podem mudar, o orçamento do projeto deve ser atualizado antes do protocolo. Também é recomendável manter capital de giro para sustentar a empresa e a família sem depender de receita imediata.

Checklist de próximos passos

  1. Confirme que a empresa brasileira está ativa e realizando negócios.
  2. Verifique o período e a função exercida pelo beneficiário.
  3. Defina se o perfil corresponde ao L-1A ou ao L-1B.
  4. Estruture a relação societária entre as empresas.
  5. Prepare um plano de negócios realista.
  6. Defina cargos e responsabilidades da futura equipe.
  7. Organize provas da disponibilidade dos recursos.
  8. Crie um sistema para preservar evidências operacionais.
  9. Submeta a estratégia jurídica a um advogado habilitado.

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A D4U Immigration é uma empresa de planejamento internacional, não um escritório de advocacia. Ajudamos empresários a organizar documentos, orçamento, cronogramas e evidências administrativas para que o projeto de expansão avance de forma estruturada.

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Perguntas frequentes

Quantos funcionários preciso contratar para manter o L-1A?

Não existe um número fixo. A estrutura precisa ser compatível com o negócio e sustentar uma função executiva ou gerencial real.

Posso contratar brasileiros na empresa americana?

Sim, desde que tenham autorização legal para trabalhar nos Estados Unidos e as contratações sejam legítimas.

O que acontece se o plano de contratação mudar?

Mudanças podem ser explicadas com evidências comerciais, mas a empresa ainda precisará demonstrar evolução compatível com o pedido de extensão.

Abrir uma C-Corp aumenta a chance de aprovação?

Não automaticamente. LLCs e Corporations podem ser utilizadas; o importante é comprovar propriedade, controle e operação qualificável.

O L-1A gera Green Card automaticamente?

Não. Em determinadas situações, o executivo ou gerente pode futuramente avaliar o EB-1C, mas essa é uma análise separada.

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Wagner Pontes

Empreendedor com mais de 20 anos de experiência, Wagner Pontes reside nos Estados Unidos por quase uma década. É fundador e CEO da D4U Immigration, do Piquet Race Park e da Okkla Realty. Entre 2020 e 2021, foi membro consultivo da Comissão de Direito Internacional na OAB, sendo o único não advogado a ocupar essa posição. Ao longo de sua trajetória, foi reconhecido com prêmios como o de Melhor CEO do segmento de mobilidade global pela revista britânica CEO Monthly (2020) e o de Jovem Empreendedor do Ano pela revista Jovem Empreendedor (2008). Sua trajetória como imigrante trouxe aprendizados e fortaleceu sua atuação diante dos desafios e das oportunidades que envolvem as jornadas internacionais.

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