Conseguir o visto L-1 sem faturamento milionário é possível, pois o USCIS não estabelece um valor mínimo de receita para essa categoria.
A aprovação, entretanto, depende da capacidade de demonstrar uma operação real, a relação válida entre as empresas e o papel executivo, gerencial ou especializado do profissional transferido.
Como funciona o visto L-1 sem faturamento milionário?
O L-1 permite que uma empresa estrangeira transfira um profissional qualificado para uma matriz, filial, subsidiária ou afiliada nos Estados Unidos.
A categoria L-1A é destinada a executivos e gerentes, enquanto o L-1B atende profissionais com conhecimento especializado sobre produtos, processos ou operações da organização.
Para se qualificar, o beneficiário geralmente precisa ter trabalhado no exterior para uma organização relacionada por pelo menos um ano contínuo dentro dos três anos anteriores à apresentação da petição.
Esse requisito se refere ao período de trabalho no exterior, e não necessariamente à idade do CNPJ ou ao tempo de existência formal da empresa brasileira.
A organização estrangeira também deve continuar fazendo negócios durante a permanência do profissional nos Estados Unidos. Manter somente um CNPJ aberto, sem atividade operacional efetiva, não costuma ser suficiente.
O USCIS exige faturamento mínimo?
Não existe um faturamento mínimo definido em lei para o L-1. Por isso, afirmar que determinada receita mensal garante elegibilidade seria incorreto.
O USCIS avalia a capacidade operacional do negócio por meio de contratos, notas fiscais, extratos, declarações tributárias, folha de pagamento, estrutura societária e outros documentos.
Uma empresa de pequeno porte pode apresentar um caso consistente quando possui operação comprovável e recursos proporcionais ao projeto americano.
Por outro lado, até uma empresa com faturamento elevado pode enfrentar dificuldades quando a relação corporativa não está clara ou o beneficiário não exerce uma função realmente qualificável.
O que é o L-1A New Office?
O L-1A New Office é utilizado quando a empresa relacionada nos Estados Unidos está operando há menos de um ano.
Nesse cenário, a organização precisa demonstrar que possui instalações adequadas e que a nova operação terá condições de sustentar uma posição executiva ou gerencial dentro de um ano.
A validade inicial costuma ser de até 12 meses. Para obter uma extensão, a empresa precisará mostrar avanços concretos, como contratos, receita, contratações e desenvolvimento da estrutura operacional.
Um plano de negócios consistente é importante, mas não substitui evidências de que o projeto possui recursos e condições reais de execução.
New Office ou empresa americana já consolidada?
| Critério | L-1A New Office | Empresa americana consolidada |
|---|---|---|
| Operação nos EUA | Menos de um ano | Mais de um ano |
| Validade inicial | Até um ano | Geralmente até três anos |
| Instalações adequadas | Devem ser comprovadas | Operação existente ajuda na comprovação |
| Plano de negócios | Essencial para demonstrar crescimento | Histórico real possui maior peso |
| Estrutura de equipe | Pode estar em formação | Normalmente já estabelecida |
| Extensão | Depende do progresso no primeiro ano | Avaliada conforme a continuidade da operação |
| Faturamento mínimo | Não existe valor legal fixo | Não existe valor legal fixo |
Quem pode se beneficiar dessa categoria?
Um fundador de startup pode se qualificar quando a empresa brasileira possui clientes, contratos, movimentação financeira e uma estratégia realista de expansão.
Um sócio de agência, consultoria ou empresa de tecnologia também pode utilizar o L-1 quando exerce função gerencial efetiva, e não apenas atividades técnicas do dia a dia.
Empresas tradicionais de comércio, logística, indústria e prestação de serviços também podem se enquadrar. O L-1 não é uma categoria exclusiva para startups ou negócios digitais.
Ser proprietário da empresa não impede a petição, mas o processo deve demonstrar que existe uma relação real de emprego e controle entre o beneficiário e a organização.
Quais documentos ajudam a comprovar a operação?
A empresa estrangeira pode apresentar contratos, notas fiscais, declarações tributárias, extratos bancários, folha de pagamento e registros de clientes.
Documentos societários devem demonstrar a relação corporativa entre as entidades brasileira e americana durante todo o período relevante.
Organogramas, descrições de cargo, registros de decisões e documentos internos podem ajudar a comprovar a atuação executiva ou gerencial do beneficiário.
No New Office, também costumam ser relevantes as projeções financeiras, o planejamento de contratações e a comprovação das instalações adequadas ao negócio.
L-1 não é um visto de investimento
Embora a nova operação precise de recursos, o L-1 não determina um aporte mínimo como condição isolada de elegibilidade.
O valor necessário depende do modelo de negócio, das despesas, da localização, da equipe e do prazo para atingir estabilidade financeira.
A análise não deve se limitar ao custo da petição. É necessário estimar aluguel, folha de pagamento, seguros, tecnologia, impostos, contabilidade e capital de giro.
Uma estrutura financeira incompatível com as projeções pode enfraquecer a credibilidade do plano, mesmo sem existir um investimento mínimo oficial.
L-1 ou E-2?
O L-1 e o E-2 possuem requisitos diferentes. O E-2 exige investimento substancial e nacionalidade de um país que mantenha tratado aplicável com os Estados Unidos.
A cidadania brasileira, isoladamente, não permite solicitar o visto E-2, pois o Brasil não integra atualmente a lista de países elegíveis por tratado.
Brasileiros com dupla cidadania de um país qualificado podem avaliar essa possibilidade, desde que atendam aos demais critérios.
O L-1 pode ser mais adequado para quem possui uma empresa estrangeira operacional e pretende transferir um profissional para uma entidade relacionada nos Estados Unidos.
Erros comuns
O primeiro erro é acreditar que abrir duas empresas relacionadas cria automaticamente elegibilidade para o L-1.
O segundo é apresentar uma organização estrangeira sem atividade comercial contínua ou com documentação insuficiente.
O terceiro é chamar de executivo um profissional que continuará executando predominantemente tarefas operacionais nos Estados Unidos.
O quarto é utilizar projeções genéricas, sem explicar de onde virão os clientes, os recursos e as futuras contratações.
O quinto é abrir a empresa americana sem estruturar corretamente a propriedade e o controle entre as organizações.
O sexto é investir antes de realizar uma análise realista da elegibilidade e dos custos da operação.
Prazos e custos estimados
O prazo total inclui constituição empresarial, obtenção de documentos, elaboração do plano operacional, preparação da petição e análise governamental.
O processamento premium acelera a ação do USCIS dentro do prazo aplicável ao serviço, mas não garante aprovação nem impede a emissão de uma solicitação de evidências.
Taxas governamentais podem variar conforme o tamanho e o perfil da empresa, além dos formulários e serviços utilizados.
Custos de abertura empresarial, traduções, contabilidade e capital de giro também variam por estado. Todos os valores devem ser tratados como estimativas sujeitas a alteração.
Checklist de próximos passos
- Confirme o período de trabalho contínuo do beneficiário no exterior.
- Reúna provas da operação real da empresa estrangeira.
- Verifique a propriedade e o controle das duas organizações.
- Documente as funções executivas ou gerenciais exercidas.
- Calcule os recursos necessários para o primeiro ano.
- Estruture um plano de negócios compatível com a operação.
- Analise a elegibilidade antes de realizar investimentos irreversíveis.
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Perguntas frequentes
É possível conseguir o L-1 sem faturamento milionário?
Sim. Não existe faturamento mínimo oficial, mas a empresa precisa demonstrar operação real, capacidade financeira e continuidade dos negócios.
A empresa brasileira precisa ter 12 meses de CNPJ?
Não existe uma regra geral exigindo exatamente 12 meses de CNPJ. O requisito central é o trabalho contínuo do beneficiário por pelo menos um ano dentro dos três anos anteriores, além da existência de uma organização qualificadora.
Posso solicitar o L-1 sendo sócio da empresa?
Sim, desde que a estrutura demonstre uma relação qualificadora e uma função executiva, gerencial ou de conhecimento especializado real.
O cônjuge de um titular do L-1 pode trabalhar?
Cônjuges admitidos corretamente na classificação L-2S são considerados autorizados a trabalhar em razão do status, conforme as regras aplicáveis.
O L-1A leva automaticamente ao green card EB-1C?
Não. O EB-1C é uma petição separada, com critérios próprios, e exige que a operação americana atenda aos requisitos aplicáveis.












