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Visto L-1 sem faturamento milionário: é possível?

Conseguir o visto L-1 sem faturamento milionário é possível, pois o USCIS não estabelece um valor mínimo de receita para essa categoria. A aprovação, entretanto, depende da capacidade de demonstrar

Escrito por: Wagner Pontes

Conseguir o visto L-1 sem faturamento milionário é possível, pois o USCIS não estabelece um valor mínimo de receita para essa categoria.

A aprovação, entretanto, depende da capacidade de demonstrar uma operação real, a relação válida entre as empresas e o papel executivo, gerencial ou especializado do profissional transferido.

Como funciona o visto L-1 sem faturamento milionário?

O L-1 permite que uma empresa estrangeira transfira um profissional qualificado para uma matriz, filial, subsidiária ou afiliada nos Estados Unidos.

A categoria L-1A é destinada a executivos e gerentes, enquanto o L-1B atende profissionais com conhecimento especializado sobre produtos, processos ou operações da organização.

Para se qualificar, o beneficiário geralmente precisa ter trabalhado no exterior para uma organização relacionada por pelo menos um ano contínuo dentro dos três anos anteriores à apresentação da petição.

Esse requisito se refere ao período de trabalho no exterior, e não necessariamente à idade do CNPJ ou ao tempo de existência formal da empresa brasileira.

A organização estrangeira também deve continuar fazendo negócios durante a permanência do profissional nos Estados Unidos. Manter somente um CNPJ aberto, sem atividade operacional efetiva, não costuma ser suficiente.

O USCIS exige faturamento mínimo?

Não existe um faturamento mínimo definido em lei para o L-1. Por isso, afirmar que determinada receita mensal garante elegibilidade seria incorreto.

O USCIS avalia a capacidade operacional do negócio por meio de contratos, notas fiscais, extratos, declarações tributárias, folha de pagamento, estrutura societária e outros documentos.

Uma empresa de pequeno porte pode apresentar um caso consistente quando possui operação comprovável e recursos proporcionais ao projeto americano.

Por outro lado, até uma empresa com faturamento elevado pode enfrentar dificuldades quando a relação corporativa não está clara ou o beneficiário não exerce uma função realmente qualificável.

O que é o L-1A New Office?

O L-1A New Office é utilizado quando a empresa relacionada nos Estados Unidos está operando há menos de um ano.

Nesse cenário, a organização precisa demonstrar que possui instalações adequadas e que a nova operação terá condições de sustentar uma posição executiva ou gerencial dentro de um ano.

A validade inicial costuma ser de até 12 meses. Para obter uma extensão, a empresa precisará mostrar avanços concretos, como contratos, receita, contratações e desenvolvimento da estrutura operacional.

Um plano de negócios consistente é importante, mas não substitui evidências de que o projeto possui recursos e condições reais de execução.

New Office ou empresa americana já consolidada?

CritérioL-1A New OfficeEmpresa americana consolidada
Operação nos EUAMenos de um anoMais de um ano
Validade inicialAté um anoGeralmente até três anos
Instalações adequadasDevem ser comprovadasOperação existente ajuda na comprovação
Plano de negóciosEssencial para demonstrar crescimentoHistórico real possui maior peso
Estrutura de equipePode estar em formaçãoNormalmente já estabelecida
ExtensãoDepende do progresso no primeiro anoAvaliada conforme a continuidade da operação
Faturamento mínimoNão existe valor legal fixoNão existe valor legal fixo

Quem pode se beneficiar dessa categoria?

Um fundador de startup pode se qualificar quando a empresa brasileira possui clientes, contratos, movimentação financeira e uma estratégia realista de expansão.

Um sócio de agência, consultoria ou empresa de tecnologia também pode utilizar o L-1 quando exerce função gerencial efetiva, e não apenas atividades técnicas do dia a dia.

Empresas tradicionais de comércio, logística, indústria e prestação de serviços também podem se enquadrar. O L-1 não é uma categoria exclusiva para startups ou negócios digitais.

Ser proprietário da empresa não impede a petição, mas o processo deve demonstrar que existe uma relação real de emprego e controle entre o beneficiário e a organização.

Quais documentos ajudam a comprovar a operação?

A empresa estrangeira pode apresentar contratos, notas fiscais, declarações tributárias, extratos bancários, folha de pagamento e registros de clientes.

Documentos societários devem demonstrar a relação corporativa entre as entidades brasileira e americana durante todo o período relevante.

Organogramas, descrições de cargo, registros de decisões e documentos internos podem ajudar a comprovar a atuação executiva ou gerencial do beneficiário.

No New Office, também costumam ser relevantes as projeções financeiras, o planejamento de contratações e a comprovação das instalações adequadas ao negócio.

L-1 não é um visto de investimento

Embora a nova operação precise de recursos, o L-1 não determina um aporte mínimo como condição isolada de elegibilidade.

O valor necessário depende do modelo de negócio, das despesas, da localização, da equipe e do prazo para atingir estabilidade financeira.

A análise não deve se limitar ao custo da petição. É necessário estimar aluguel, folha de pagamento, seguros, tecnologia, impostos, contabilidade e capital de giro.

Uma estrutura financeira incompatível com as projeções pode enfraquecer a credibilidade do plano, mesmo sem existir um investimento mínimo oficial.

L-1 ou E-2?

O L-1 e o E-2 possuem requisitos diferentes. O E-2 exige investimento substancial e nacionalidade de um país que mantenha tratado aplicável com os Estados Unidos.

A cidadania brasileira, isoladamente, não permite solicitar o visto E-2, pois o Brasil não integra atualmente a lista de países elegíveis por tratado.

Brasileiros com dupla cidadania de um país qualificado podem avaliar essa possibilidade, desde que atendam aos demais critérios.

O L-1 pode ser mais adequado para quem possui uma empresa estrangeira operacional e pretende transferir um profissional para uma entidade relacionada nos Estados Unidos.

Erros comuns

O primeiro erro é acreditar que abrir duas empresas relacionadas cria automaticamente elegibilidade para o L-1.

O segundo é apresentar uma organização estrangeira sem atividade comercial contínua ou com documentação insuficiente.

O terceiro é chamar de executivo um profissional que continuará executando predominantemente tarefas operacionais nos Estados Unidos.

O quarto é utilizar projeções genéricas, sem explicar de onde virão os clientes, os recursos e as futuras contratações.

O quinto é abrir a empresa americana sem estruturar corretamente a propriedade e o controle entre as organizações.

O sexto é investir antes de realizar uma análise realista da elegibilidade e dos custos da operação.

Prazos e custos estimados

O prazo total inclui constituição empresarial, obtenção de documentos, elaboração do plano operacional, preparação da petição e análise governamental.

O processamento premium acelera a ação do USCIS dentro do prazo aplicável ao serviço, mas não garante aprovação nem impede a emissão de uma solicitação de evidências.

Taxas governamentais podem variar conforme o tamanho e o perfil da empresa, além dos formulários e serviços utilizados.

Custos de abertura empresarial, traduções, contabilidade e capital de giro também variam por estado. Todos os valores devem ser tratados como estimativas sujeitas a alteração.

Checklist de próximos passos

  1. Confirme o período de trabalho contínuo do beneficiário no exterior.
  2. Reúna provas da operação real da empresa estrangeira.
  3. Verifique a propriedade e o controle das duas organizações.
  4. Documente as funções executivas ou gerenciais exercidas.
  5. Calcule os recursos necessários para o primeiro ano.
  6. Estruture um plano de negócios compatível com a operação.
  7. Analise a elegibilidade antes de realizar investimentos irreversíveis.

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Perguntas frequentes

É possível conseguir o L-1 sem faturamento milionário?

Sim. Não existe faturamento mínimo oficial, mas a empresa precisa demonstrar operação real, capacidade financeira e continuidade dos negócios.

A empresa brasileira precisa ter 12 meses de CNPJ?

Não existe uma regra geral exigindo exatamente 12 meses de CNPJ. O requisito central é o trabalho contínuo do beneficiário por pelo menos um ano dentro dos três anos anteriores, além da existência de uma organização qualificadora.

Posso solicitar o L-1 sendo sócio da empresa?

Sim, desde que a estrutura demonstre uma relação qualificadora e uma função executiva, gerencial ou de conhecimento especializado real.

O cônjuge de um titular do L-1 pode trabalhar?

Cônjuges admitidos corretamente na classificação L-2S são considerados autorizados a trabalhar em razão do status, conforme as regras aplicáveis.

O L-1A leva automaticamente ao green card EB-1C?

Não. O EB-1C é uma petição separada, com critérios próprios, e exige que a operação americana atenda aos requisitos aplicáveis.

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Wagner Pontes

Empreendedor com mais de 20 anos de experiência, Wagner Pontes reside nos Estados Unidos por quase uma década. É fundador e CEO da D4U Immigration, do Piquet Race Park e da Okkla Realty. Entre 2020 e 2021, foi membro consultivo da Comissão de Direito Internacional na OAB, sendo o único não advogado a ocupar essa posição. Ao longo de sua trajetória, foi reconhecido com prêmios como o de Melhor CEO do segmento de mobilidade global pela revista britânica CEO Monthly (2020) e o de Jovem Empreendedor do Ano pela revista Jovem Empreendedor (2008). Sua trajetória como imigrante trouxe aprendizados e fortaleceu sua atuação diante dos desafios e das oportunidades que envolvem as jornadas internacionais.

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